O Espiritismo

 

O Espiritismo

O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. (Ev. 2º Espiritismo, Cap 1)

No Evangelho Segundo o Espiritismo temos a informação essencial de que o Espiritismo é uma ciência nova. Este fato é essencial para que possamos retomar uma discussão saudável e sobretudo necessária para o que se chama de movimento espírita atual. 

Como ciência, a doutrina tem por essência o dever de questionar. E foi a partir disso que ela surgiu. Através do questionamento dos fenômenos espirituais e físicos sobrenaturais que sempre aconteceram na história da humanidade e por certo momento se intensificaram a olhos vistos na sociedade moderna pós-revoluções, no ocidente. 

Com a curiosidade científica é que Kardec investigou os fenômenos e com o método científico da época (positivismo), ele organizou todos os relatos, fatos e acontecimentos presenciados por ele e por outros confiáveis em várias partes do mundo ocidental, principalmente a fim de organizar os conhecimentos espíritas. 

Daí surgiu a Doutrina Espírita com seus princípios e seus livros base, para trazer à humanidade encarnada, reflexões necessárias sobre a vida além da matéria, sobre a vida e a moral da humanidade, a vida e a relação com a divindade e a justiça do universo, argumentando de forma mais sensata possível, as leis que poderiam explicar melhor o porquê das coisas como um todo. Algo extremamente ousado para a época e ainda o é, atualmente. 

Conquanto, ali foi apenas um início. Kardec não teve muito tempo de aprofundar. Surgiram muitas respostas iniciais, mas foram deixadas muitas perguntas. O tripé da ciência, filosofia e religião esteve presente ao final deste primeiro período, oferecendo o máximo de coerência com o pensamento e a prática espírita. Ainda que não houvesse consenso, havia respeito e vontade de seguir o caminho da evolução do pensamento humano. 

Vieram em seguida vários fatores importantes. A transferência do movimento inicial da França para o Brasil. A encarnação de espíritos que viveram e contribuíram com o movimento de forma exemplar, mesmo que não tivessem sido perfeitos, foram com certeza admiráveis para viver e fazer avançar diversos pontos da doutrina. Receberam mais informações importantes do mundo espiritual, fortaleceram a caridade, desenvolveram melhor a questão da comunicação mediúnica. Enfim. Houve avanços, mas talvez, criou-se uma dependência desses grandes nomes, ditos espíritos missionários, um peso talvez maior do que deveria ser, nas costas desses irmãos de fé. Algo comum, no imaginário e costume humano.

Hoje, o movimento espírita passa por uma crise de identidade. Infelizmente, rituais têm sido criados, formas rígidas de como viver a doutrina, de como pensar. O espírito conservador tem feito com que a essência citada lá no início do texto, seja agora considerada afronta por muitos seguidores do Espiritismo. Questionar, mesmo que com bom senso e respeito, os métodos, conhecimentos, vivências, médiuns e suas comunicações, palestrantes, obras, virou sinônimo de desrespeito, mesmo quando as posturas atuais são carregadas de preconceitos históricos.

Se o movimento espírita quer manter a essência da doutrina, é preciso avançar inclusive como ciência. Não se pode mais crer que a forma de estudar os fenômenos sejam iguais às da época de Kardec. O positivismo foi importante naquele momento, mas hoje, mostra-se ultrapassado. É preciso sim, ter a coragem de levar para as universidades a temática espiritual. Os estudos são raros, e quando há, muitos são criticados e renegados pelo próprio movimento. 

A consequência? É o que temos acompanhado com preocupação. Muitos seguidores têm deixado de acreditar no Espiritismo pela má condução dos seus representantes maiores (médiuns, organizações federativas, dirigentes e trabalhadores respeitados) e tem procurado vertentes onde há mais acolhimento, menos preconceitos, mais liberdade de pensamento, menos conservadorismo, menos elitização. 

Poderíamos aqui discorrer muito mais sobre os problemas, mas queremos deixar um fio de esperança de que ainda é possível voltar à essência da Doutrina. Basta voltar o espírito inicial da curiosidade sobre as verdades universais, com o bom senso de não aceitar qualquer informação apenas porque veio de um médium, um espírito. O espírito que deve orientar o movimento é o do bom senso, da bondade, do respeito, do acolhimento e sobretudo, inspirado nos exemplos do Cristo. Fora disso, o Espiritismo estará cada vez mais longe de seus objetivos. Pensemos nisso!

Jesair

 

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