O Cristo
O Cristo
“O papel de Jesus não
foi o de um simples legislador moralista, tendo por exclusiva autoridade a sua
palavra. Cabia-lhe dar cumprimento às profecias que lhe anunciaram o advento; a
autoridade lhe vinha da natureza excepcional do seu Espírito e da sua missão
divina.” (ESE, Cap.1, o Cristo)
Quando pensamos no Cristo, logo nos vem à mente a pureza, a justiça e
sobretudo uma espécie de admiração pelo quase desconhecido, embora seja o
personagem da história humana mais estudado, comentado, homenageado de todos os
tempos. Está em nossas orações diárias, está no imaginário popular do ocidente
como o Salvador do Mundo! O Filho de Deus! Ou seria o próprio Deus?
Cristo, é praticamente uma divindade, um ser especial, um super-herói com
poderes sobrenaturais, ratificados pelas narrativas das curas e dos milagres da
bíblia sagrada! O Cristo que reviveu após a morte do corpo e provou a
continuidade da vida. São narrativas quase inquestionáveis no meio cristão! E
aqui, não temos a intenção de questionar a veracidade delas. Não é esse o
objetivo.
Queremos falar do que Jesus, esse sim, o espírito, o irmão que tinha mais
conhecimento sobre as verdades do Universo, sobre o Criador, sobre as leis
universais que regem a vida, a natureza, o cosmos. E refletir sobre isso não é
tirar a sua importância, pelo contrário, é enfatizar ainda mais este papel de
liderança moral da humanidade que cabe a ele de forma natural.
Como o próprio Evangelho Segundo o Espiritismo nos traz, Jesus não foi um
legislador que queria ser o líder da moral da vida humana. Tanto que não
escreveu uma linha sequer, mesmo tendo todas as condições intelectuais, morais
e filosóficas para isso.
Ele não buscou ocupar cargos políticos, nem religiosos. Aliás, não fundou
uma religião. O Cristianismo só surgiu depois de muito tempo após a sua morte
corporal.
Ele não veio para apenas curar o corpo, mas principalmente, oferecer o
caminho da cura da alma, cura espiritual. Mas essa cura não deveria partir
dele, mas do próprio doente. O que ele fazia? Apenas dava o exemplo, clareava o
caminho a ser percorrido com sua fala assertiva, clara, seu olhar empático e
acolhedor, sua ação gentil e ao mesmo tempo direta e forte. Sempre deixou claro
a todos os curados: “sua fé te curou” ou a fé de alguém curava o doente, pelo
amor que depositava nessa cura! Ainda assim, era ele quem, com seus
conhecimentos, direcionava as energias, a força da fé dos outros para a cura
desses que a desejavam!
E mais do que a cura, complementava, “vá e não peques mais”. Ou seja,
siga em frente e modifique seu comportamento, vigie a si mesmo e busque se
melhorar, caso o contrário, as dificuldades retornariam. Bem didático, como um
professor!
Na frente dele, os mais ousados, ficavam desarmados… Diante do seu olhar,
ou da sua sabedoria, se calavam não porque queriam, mas por perceberem que
aquele homem era a justiça e a bondade encarnadas!
Enquanto precisou e quis, chamou a atenção para si, a fim de assumir sua
responsabilidade, a fim de fazer a sociedade da época refletir sobre a vida que
levavam! É preciso lembrar que Jesus nasceu numa pequena vila, desprezada,
quase ignorada. Filho de carpinteiro e uma dona de casa. Pobre, sem posses, sem
perspectivas. E nada disso apagou a sua luz, pois como um irmão de caminhada
mais experiente diante das verdades universais, resultado de suas conquistas
espirituais de sua própria caminhada evolutiva, ele sabia o que fazer, o que
dizer no momento certo.
Quando era necessário calar-se, ele se calou. Quando precisava falar, ele
falou. Quando precisou agir, agiu, curar, curou, sorrir, sorriu, chorar,
chorou, sofrer, sofreu, oferecer um abraço, um carinho, o fez. Mas também soube
pedir ajuda, colo, acolhimento, como qualquer um de nós! Isso é que o tornou
tão especial! Tão próximo das multidões! Ele viveu e se fez presente. Humano!
Sem se sentir especial, mesmo sendo, aos nossos olhos!
Jesus foi e é especial por tudo isso. Não porque fez milagres e
curou. Não porque morreu na cruz para salvar os nossos pecados. Ele morreu ali
porque entendeu que deveria dar o exemplo de luta contra as injustiças do
mundo. Porque sabia que havia cumprido o seu papel com seus exemplos e era hora
de deixar-nos seguir nosso caminho com nossos próprios esforços. Pois temos a
mania de nos apegar àqueles que se destacam, como se eles resolvessem nossos
problemas.
Jesus sabia disso, e fez o que deveria fazer, deixou-nos os exemplos
necessários para assumirmos nossas lutas e continuar a trabalhar por nós de
onde está. E pensar desta forma não lhe diminui a importância, apenas eleva,
pois retira qualquer poder exclusivo, como se ele fosse um ser especial para o
Criador. Oferece a oportunidade de pensar, que um dia, chegaremos neste patamar
e teremos a responsabilidade de guiar outros irmãos que estão no início da
caminhada evolutiva. O que faz crescer nossa admiração por esse irmão
maravilhoso e especial, por ter sido alguém que fez o necessário, sendo humano,
como eu e como você! Pense nisso…
Jesair
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