Realeza de Jesus

                                         Realeza de Jesus

 
“A realeza terrena acaba com a vida, mas a realeza moral continua a imperar, sobretudo, depois da morte. Sob esse aspecto, Jesus não é um rei mais poderoso que muitos potentados? Foi com razão, portanto, que ele disse a Pilatos: Eu sou rei, mas o meu reino não é deste mundo.” (Evangelho 2º o Espiritismo, Cap. 2) 

É provável que essas linhas nem sejam necessárias ou não sejam suficientemente dignas para falar do espírito mais puro que já pisou nesta Terra! Conquanto, ignorar a realeza do Mestre numa sequência de estudos sobre o seu evangelho, seria o mesmo que ignorar o maior tesouro encontrado em todos os tempos. Assim, vamos tentar de alguma forma traduzir nossa admiração e respeito pela condição do Mestre dos mestres em poucas e apagadas linhas… 

Aquele que possuía toda a consciência da vida! Que sabia os segredos ainda hoje obscuros da humanidade. Aquele que participou da criação desse orbe com conhecimento e amor inimaginável ao nosso entendimento, compreendeu desde os primeiros tempos das sociedades humanas, que um dia teria que corporificar-se no mundo a fim de levar uma mensagem inesquecível aos corações.  

Poderia ter feito isso de outras maneiras, mas sabia que deveria dar o exemplo de ser como qualquer um de nós. Nascer como qualquer um, ser um bebê, uma criança, um adolescente, um jovem e um adulto. Viver todas as fases possíveis, apenas sendo diferente, por já possuir evolução muito além da média de todos nós. 

Seria mais fácil ele estar conosco e fazer seus milagres, suas curas e ser um verdadeiro Deus aos olhos humanos, mas até nisso ele tinha consciência de que era insuficiente. Que o tornaria distante de nossa realidade. Que seria apenas mais uma entidade divina, inexplicável aos nossos olhos.  

Jesus serviu primeiro, esse foi um dos seus mais profundos ensinos e milagres. Mas não foi um servir de servidão, de escravidão. Foi um servir de justiça, em que oferecia o exemplo da dignidade, do respeito ao próximo, e quando necessário sabia questionar o poder terreno. E quando o fez, diversas vezes, diga-se de passagem, questionou e afirmou que era sim, Rei, mas de um reino que não existia nesse mundo. Que estava além, no Reino dos Céus, ou seja, na vida verdadeira, onde só poderiam adentrar os que quisessem e pudessem através de seus esforços no bom caminho, lutando contra si mesmo e suas tendências ainda necessitadas de evolução moral.  

Jesus não se omitiu perante as injustiças, mas ao mesmo tempo não explodiu belicamente. Sua guerra sempre foi com a bandeira da paz! Entretanto, sem levantar a espada, a lança ou o arco, feriu mentes perturbadas pela vaidade, pelo orgulho, pelo egoísmo! Feriu o modo de viver dos privilegiados, demonstrando que a força criadora não estava de acordo com essa forma de existência e que os que queriam paz interior, deveriam olhar para si mesmos, lutar contra essas mazelas citadas e segui-lo, não fisicamente, mas espiritualmente.  

Deixou-nos com o seu sacrifício final, que foi sua libertação, mas o verdadeiro sacrifício, era diário ao ver-nos tão ignorantes e sem compreender os seus ensinos e exemplos mais simples de vida… Nem mesmos os escolhidos para estarem ao seu lado compreendiam suas palavras com inteireza, quanto mais suas ações… Questionavam-no o tempo todo… Se angustiavam por não entender por que Jesus agia daquela maneira. Queriam influenciá-lo como crianças do "jardim da infância" em frente à uma sábia professora que sabe compreender as infantilidades inocentes de seus alunos… A diferença é que ele sabia que as consequências seriam corporalmente funestas.  

Hoje o mundo o reverencia, mas ainda distorce o que ele deixou de mais sagrado, os exemplos de amor e de justiça divinas. Em nome dele, já se deflagaram guerras, assassinatos, massacres… Em nome dele, pessoas são enganadas, vilipendiadas, esquecidas, injustiçadas… Em nome dele, populações já foram dizimadas… Infeliz de nós, que mesmo vivendo há mais de dois mil anos com seus ensinos, exemplos, ainda insistimos na crueldade… Insistimos em materializar o seu reino à força do ódio, do desrespeito, da imposição de ideias e ações, quando desde aquele tempo, Jesus foi claro: “meu reino não é deste mundo”! 

Pobre de nós humanidade! Acordemos antes que seja tarde e nosso reino dos céus, não se transforme em tormentos milenares em nossa própria consciência! Que o reino do Mestre finalmente chegue aos nossos corações ao despertarmos para a consciência da justiça universal, na qual há justiça social. Na qual a fome do corpo e da alma sejam eliminadas com atos de amor e não de guerra. Na qual a verdade prevaleça, o perdão apareça dignamente, e os que erram, busquem verdadeiramente a remissão com humildade e boa vontade de tornar-se bom, reconhecendo e reparando os erros para que assim, a justiça alcance não apenas um pequeno grupo privilegiado, mas toda a humanidade! 

Jesair 

 

 

 

 

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