Verdadeira Ilusão
Verdadeira Ilusão
“Os homens
correm atrás dos bens terrenos, como se os pudessem guardar para sempre. Mais
uma ilusão. Logo percebem que apenas encontraram sombras, e negligenciaram os
únicos bens sólidos e duráveis, os únicos que os levariam à morada
celeste. (Evangelho 2º o Espiritismo” - Cap.2, instrução dos espíritos “Uma
rainha da França”).
Essa talvez seja uma das
mensagens dos espíritos contida no Evangelho 2º o Espiritismo que tenha maior
alcance entre os seus seguidores, pois que é um relato “forte” sobre as
condições do espírito do outro lado.
Rainha foi entre os homens, com
todos os luxos, requintes, “superioridade” social entre tantas outras questões,
e quando abarcou o mundo espiritual, percebeu que aquele status social da
matéria de nada lhe valeu no plano do espírito. Todas as honras e deferências
de antes, se desfizeram, pois que nesse plano o que vale realmente são os
valores espirituais e não uma posição de nascimento.
Resume bem o que Jesus já havia
alertado: “os humilhados serão exaltados e os exaltados serão humilhados”.
É preciso refletir melhor sobre
o relato da nossa querida rainha da França. Ela informa, na visão dela, de
espírito recém-chegada a pátria espiritual que o único caminho para alcançar o
céu seria o da “abnegação, humildade, caridade em toda a sua plenitude,
benevolência para com todos”. Ela está correta, sem sombra de dúvidas!
Entretanto, muitos seguidores
da Doutrina Espírita tomaram essas palavras de forma equivocada quando
colocadas em prática.
Confundem a abnegação com
omissão de ações fortes para o bem.
Confundem humildade com apatia
diante das injustiças do mundo e até mesmo para com ele mesmo.
Acreditam que só há caridade
quando se dá o pão material e esquecem que o espírito anseia por justiça
social! Essa é a caridade em sua amplitude! Não há caridade onde há injustiça.
Onde não há luta por condições mais igualitária de vidas para todos! A caridade
material é importante sim, mas apenas ela não resolve os problemas da fome, da
falta de oportunidades equalitárias para toda uma população.
Confundem a benevolência à
todos com gestos gentis. Mesmo para com aqueles que são injustos, arbitrários, utilizam
da violência física, mental, emocional e sangram a sociedade com crimes
diversos! Benevolência sem justiça é um dos equívocos graves, pois são
seletivos! É o “perdão” para os privilegiados, e a condenação para os que pouco
ou quase nada tem ou tiveram de oportunidades de vida.
Confundem ainda o fato de que
aqueles que sofrem hoje é porque plantaram situações difíceis no passado e por
isso, devem mesmo sofrer… Esse pensamento que hoje está impregnado no movimento
espírita deve ser combatido, pois que o passado, embora seja realmente a causa
do sofrimento, não é por isso que devemos considerar o sofrimento alheio como
algo indiferente apenas por ser consequência, decorrente da Lei de Causa e
Efeito. Ter esse olhar indiferente é no mínimo falta de caridade!
A Lei de Ação e Reação deve
servir para nossa compreensão íntima das nossas dificuldades e não como
justificativa de indiferença perante o sofrimento alheio!
Assim, a ilusão da vida terrena
não se limita apenas aos bens materiais, mas também a falta da verdadeira
caridade, benevolência e humildade alertada pela então rainha da França. Ela
vai muito mais além e é preciso cada vez mais olhar para dentro de nós, acima
de tudo!
Jesair
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