Um Alerta

 

Um Alerta 

Quando Kardec começou a observar os fenômenos das mesas girantes, das pancadas que se viam nos salões das casas francesas no século XIX, o primeiro impulso foi de negar, acreditar que havia algo físico por trás daquilo. 

Com o passar dos dias, pode observar que embora houvesse casos de usos de subterfúgios para mover os móveis e ouvir pancadas nas paredes e qualquer outra parte dos locais onde aconteciam as reuniões, ele pode constatar que havia tantos outros casos que eram verídicos. O que lhe ofereceu uma primeira verdade constatada: havia, como em qualquer área da humanidade, os falsos testemunhos, mas isso não poderia descredibilizar o fato de que também havia veracidade em tais fatos.

Assim, descartou os casos falsos e passou a estudar os casos verdadeiros! O tempo passou, e o fenômeno ganhou a alcunha de mediunidade e os responsáveis pelos mesmos, foram chamados de médiuns. Sem distinção de cor, de raça e mesmo de credo. Mediunidade é uma capacidade física humana, mas como qualquer capacidade precisa ser desenvolvida, estudada e deve estar em constante atualização. 

Mais de um século e meio se passou daquele início, vimos diversos fenômenos mediúnicos, diversos médiuns fantásticos, contudo, como é comumente dito no meio espírita, perfeito só o Criador, e o modelo mais próximo da perfeição, que não errou neste mundo, apenas o modelo maior, Jesus Cristo! 

Até aqui, não falamos nenhuma novidade, nem nos podem acusar de qualquer questão controversa, apenas pontuamos fatos históricos. A partir daqui, queremos tocar em feridas que estão sendo abertas repetidamente no movimento espírita.

Primeiramente, é preciso deixar claro. Este texto é mediúnico, com um médium intuitivo. As ideias lhe chegam à mente, e ele as interpreta da melhor forma que consegue, com seu vocabulário disponível e adquirido nesta atual encarnação. Só por este fator, percebe-se que esta mensagem não é apenas o pensamento desse espírito que tenta se comunicar, mas um trabalho a quatro mãos, onde o médium interfere no que é dito, em vista dos seus conhecimentos sobre a doutrina e sobre a mediunidade, além de suas experiências pessoais no assunto!

Dito isso, é possível que haja distorções da ideia original, mas é o que temos para trabalhar. Então sigamos! É importante este esclarecimento, pois esta reflexão se refere ao uso do fenômeno mediúnico para os interesses pessoais dos médiuns. Sim! Toda mensagem tem uma intenção! Toda comunicação tem uma intenção!

A intenção por si só, não é ruim, má ou leviana. Assim como os médiuns que se dizem estudiosos, humildes e prontos para serem médiuns, acreditam que fazem o seu melhor. Realmente muitos fazem, outros nem tanto... 

Uma mensagem como essa surgiu do questionamento íntimo do médium: será que eu não uso as mensagens que recebo mediunicamente para enfatizar o que penso? Para justificar meus atos? Meus pensamentos? Minha crença? Minha fé? 

No geral, a resposta é sim... E não é este o problema que queremos abordar. Não é problema pensar parecido com o que se recebe, o problema está em não se questionar o valor da mensagem! Kardec já antecipou isto dizendo que é melhor negar dez verdades do que admitir uma única mentira. Infelizmente, tem faltado esse bom senso para os médiuns... 

Percebam meus amigos. Este é um alerta! Médiuns são falhos, pois nós humanos habitantes desta Terra, somos imperfeitos! A crítica a uma mensagem é salutar, quando não usada para ferir, mas para crescer! Crescer coletivamente! Infelizmente, a mediunidade, seja mensagens psicografadas, sejam psicofônicas, curas, e etc, têm sido utilizadas muitas vezes para manipular as pessoas que deveriam ser consoladas com a utilização da mediunidade! O problema não é, nunca foi usar a mediunidade fora da casa espírita, até porque somos médiuns todas as horas do dia! O problema é não saber a hora certa, não estar preparado e nem em sintonia pala autovigilância, auto cuidado e bom senso ao utilizar a mediunidade!

Mediunidade é dom natural, e para desenvolver é preciso estudo, oração, vigilância, bom senso, dentro e fora da casa espírita! Aliás, como mencionamos anteriormente, não importa o credo. A mediunidade está presente em todo o mundo, em todas as religiões e cada uma a utiliza de uma forma, mais ou menos consciente. Se a Doutrina Espírita sistematizou seu estudo e prática, é uma dádiva oferecida pela mediunidade, mas que não pode ser justificativa para utilizá-la a seu bel prazer, e sim com responsabilidade!

Assim, finalizamos esta breve reflexão com o alerta claro de que a mediunidade não tire a responsabilidade do ser individual! O médium não é oráculo e portanto, quem recebe qualquer mensagem mediúnica, tem o dever de questionar a si mesmo se é algo bom para o coletivo da humanidade, não apenas para os próprios interesses... E quanto aos médiuns, cuidado para que o uso das suas faculdades não sejam motivo de escândalo, pois as consequências podem ser tristes ao seu processo evolutivo, mas… Só ao Criador, cabe julgar como será esta colheita! Sem julgamentos, por gentileza. 

Jesair 

 

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